astrologiavênusamorarcanosprática

Vênus e o Tarot: As Cartas do Amor, da Beleza e do Desejo

Por Tarot Lunar22 de junho de 20269 min de leitura

Antes de o céu clarear pela manhã, há um ponto de luz que insiste em brilhar perto do horizonte. Os antigos a chamavam de estrela da manhã, sem saber que olhavam para o mesmo corpo que reaparecia ao entardecer como estrela da tarde. Era Vênus, e havia algo de justo nisso. O planeta do amor sempre aparece nas bordas do dia, nos momentos em que a luz e a sombra se tocam.

Vênus rege o que nos atrai e o que valorizamos. Não apenas o amor romântico, mas a beleza, o prazer, a harmonia, o senso do que vale a pena. No Tarot, ela não fala por uma única carta. Ela se espalha por várias, e entender essa rede de correspondências muda a maneira como você lê qualquer pergunta sobre afeto, valor ou desejo.

A Conexão Entre Vênus e o Tarot

A tradição esotérica liga planetas a cartas, e Vênus recebe uma das mais belas: a Imperatriz (III). Faz sentido. A Imperatriz é a abundância encarnada, a criação, o prazer do corpo e da terra, o amor que gera. Se Vênus tivesse um retrato no baralho, seria esse.

Mas a influência de Vênus não para aí. Ela rege dois signos, Touro e Libra, e cada um traz uma face diferente do mesmo planeta. Touro é o Vênus do prazer concreto: o toque, o sabor, a estabilidade, o gozo do que é material. Libra é o Vênus da harmonia e da relação: o equilíbrio, a beleza das formas, o desejo de união.

Por isso, ler Vênus no Tarot é ler em duas frequências. Há o amor que quer possuir e sentir, e há o amor que quer equilibrar e se relacionar. As cartas distinguem os dois.

As Cartas de Vênus

A Imperatriz (III). O coração venusiano do baralho. Amor que cria, beleza que floresce, prazer sem culpa. Quando aparece numa leitura de amor, fala de fertilidade emocional, algo nascendo, crescendo, sendo nutrido.

Os Amantes (VI). A escolha do coração. Não apenas romance, mas a decisão de se unir a algo ou alguém. Vênus aqui pede alinhamento entre desejo e valor: você quer isso, ou só acha que deveria querer?

O Sol (XIX). A alegria venusiana em seu estado mais puro, vitalidade, calor, o prazer de simplesmente existir e ser visto. No amor, é a relação que aquece em vez de queimar.

Os Dois de Copas. O encontro de dois mundos emocionais. Se a Imperatriz é o amor que nutre, os Dois de Copas são o amor que reconhece, o instante em que duas pessoas se veem de verdade.

O Dez de Pentacios. A face de Touro: amor que se traduz em estabilidade, legado, segurança construída a dois. Vênus aqui não é paixão; é a beleza do que dura.

Quando Vênus Aparece, e Quando Falta

Há leituras em que as cartas venusianas se acumulam. Imperatriz, Sol, Dois de Copas lado a lado: o terreno está fértil para o afeto, para o prazer, para a conexão. Vale notar isso e não desperdiçar, Vênus favorece a aproximação, a criação, o gesto generoso.

Mais reveladoras, porém, são as leituras de amor em que nenhuma carta venusiana aparece. Você pergunta sobre um relacionamento e recebe Espadas, Bastos, o Imperador, a Justiça. Isso também é informação. Sugere que a relação está sendo movida por outra coisa que não o amor, por lógica, por poder, por dever, por conflito. Não necessariamente algo ruim, mas algo a olhar com honestidade.

Prática: Numa leitura de amor, antes de interpretar carta por carta, faça uma contagem rápida: quantas cartas têm sabor venusiano (Copas, Imperatriz, Amantes, Sol)? A proporção entre Vênus e o resto da tiragem já conta metade da história.

Uma Tiragem Venusiana

Esta tiragem serve para perguntas sobre amor, valor próprio ou prazer. Embaralhe pensando no que o seu coração realmente busca, não no que você acha que deveria buscar.

  1. O que eu amo. Para onde meu desejo aponta de verdade?
  2. O que eu valorizo. O que eu considero digno do meu tempo e da minha entrega?
  3. O que bloqueia o fluxo. O que impede o amor ou o prazer de circular na minha vida?
  4. Como me abrir. Que gesto venusiano, de receber, de criar, de me deixar ver, está sendo pedido agora?

A tensão entre as duas primeiras posições é onde mora a maior parte das dores de amor. Amamos uma coisa e valorizamos outra; desejamos alguém mas damos valor a algo incompatível. Vênus pede que esses dois se reconciliem.

Vênus Não É Só Romance

Aqui está o que a maioria dos artigos sobre o tema esquece: Vênus não trata apenas de amor entre pessoas. Ela rege todo o nosso senso de valor, incluindo o valor que damos a nós mesmos. Uma leitura venusiana pode ser inteiramente sobre autoestima, sobre permitir-se o prazer, sobre parar de tratar a beleza e o descanso como luxos imerecidos.

Quando a Imperatriz aparece e você não está numa fase romântica, ela talvez esteja falando de outra coisa: do convite a se nutrir, a criar, a habitar o próprio corpo sem pressa. Vênus pergunta, antes de qualquer relação com o outro, qual é a sua relação com o que você considera belo e digno de amor, começando por você.


Da próxima vez que Vênus piscar no céu, naquele intervalo entre a luz e o escuro, lembre-se de que ela não promete romance. Ela pergunta o que você ama o suficiente para se dedicar. As cartas só ajudam a tornar essa pergunta impossível de adiar.